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terça-feira, 17 de setembro de 2013

Oficina de Cinema com Geraldo Sarno - BA

A Fundação Pedro Calmon, através do Centro de Memória da Bahia promove a oficina de cinema com o roteirista e diretor Geraldo Sarno, de 30/09 a 04/10, das 17h às 21h, na sala 06 – Biblioteca Pública do Estado da Bahia.
Se o pensar no cinema se expressa em sua forma, ou por sua forma, como quer Godard, porque não estimular essa busca estabelecendo analogias com a poesia, a filosofia, a psicologia e as ciências, por exemplo. Se, com essas aproximações, o campo criativo do cinema se expande, talvez nos tornemos mais aptos a responder aos desafios que o mundo contemporâneo vem propondo às artes audiovisuais. E, talvez, manter a centralidade do cinema nesse contexto.
 
 
INFORMAÇÕES SOBRE A OFICINA:
  1. os(as) candidatos(as) à vaga deverão enviar por e-mail (cmb.fpc@fpc.ba.gov.br) até o dia 23 de setembro de 2013, segunda-feira, documentação comprobatória de vínculo com Instituição de Ensino Superior, estudantes de graduação ou pós-graduação ou comprovação de registro profissional na área.
  2. as inscrições só ocorrerão pelo site da FPC.
Obs.: caso o(a) candidato(a) à vaga não entregue o documento comprobatório até a data e horário estipulados, estará automaticamente eliminado(a), tendo a vaga disponibilizada para outros(as) candidatos(as).
Outras informações podem ser obtidas através do telefone (71) 3117-6067 ou do email cmb.fpc@fpc.ba.gov.br.
 
 Geraldo Sarno
geraldo_sarno_Autor de um clássico do cinema documental brasileiro, Viramundo (1965), sobre a migração nordestina para São Paulo, o primeiro de uma série de estudos sobre a cultura do Sertão. Começou no início dos anos 60 como integrante do Centro Popular de Cultura da Bahia (onde nasceu, em 1938). Realizou filmes em 16mm sobre a reforma agrária, entre eles Mutirão em Novo Sol (1963), que se perderam após o golpe militar de 1964. Trabalhou também o tema da religiosidade popular em Iaô (1976), sobre os cultos afro-brasileiros, e Deus é um fogo (1987), sobre o catolicismo e as esquerdas latino-americanas. A partir de 1999, em complemento ao trabalho de reflexão estética iniciado com a revista Cinemais, realiza uma série de documentários intitulada A linguagem do cinema, composta de entrevistas com diretores brasileiros, entre eles Walter Salles, Júlio Bressane, Carlos Reichenbach, Ana Carolina e Ruy Guerra. Realizou também alguns longa-metragens de ficção.
 
Filmografia selecionada:
  • O último romance de Balzac (2010). Prêmio Especial do Júri no Festival de Gramado de 2010.
  • Tudo isso parece um sonho (2008). Prêmio de melhor direção no Festival de Brasília.
  • Deus é um fogo (1987)
  • A terra queima (1984)
  • Eu carrego um sertão dentro de mim (1980)
  • Coronel Delmiro Gouveia (1977)
  • Casa grande e senzala (1974)
  • O pica-pau amarelo (1973)
  • A cantoria (1971)
  • Jornal do Sertão (1970)
  • Padre Cícero (1970)
  • Vitalino/ Lampião (1969)
  • Viva Cariri! (1969)
  • Viramundo (1965)
 
PROGRAMAÇÃO
 
1ª. Sessão.
Mote:                          Pra toda parte que eu óio
Vejo um verso se buli.           Patativa do Assaré
O duplo aprendizado a partir de fazer documentários sobre cultura popular no sertão do Nordeste: ao tempo em que se exercitava, por exemplo, no manejo da linguagem cinematográfica para documentar uma cantoria, como absorver dos cantadores documentados, de sua arte  de improvisar versos em desafio, isto é, no imprevisto do assunto (tema) e da forma (rima, métrica) que o contendor lhe propõe, uma “maneira” de fazer, um princípio, uma estética que pudesse servir de base a outros fazeres artísticos? Como o próprio cinema, por exemplo.
1. Textos:
SARNO, Geraldo. Glauber Rocha e o Cinema Latino-Americano. Rio de Janeiro: Riofilme e CIEC – Centro Interdisciplinar de Estudos Contemporâneos, Escola de Comunicação, UFRJ, 1994, 111 páginas, pp. 23 e 24. Este texto foi republicado no número 12 da Revista CINEMAIS; em espanhol, no número 19/20 de NUEVO TEXTO GRAVE – CINE Y CULTURA, revista do Departamento de Espanhol e Português da Universidade de Stanford, EUA, 1997, e, parcialmente, no número 155 da revista CINE CUBANO, de novembro de 2002 e no livro Un sueño compartido, de Alfredo Guevara, Iberautor, 2002.
SILVA, Antonio Gonçalves da (O Patativa). “Cante lá, que eu canto cá”.In: SILVA, Antonio Gonçalves. Cantos de Patativa. Rio de Janeiro: Borsoi, 1967. p. 172.
2. Filmes: Os Imaginários (9 min); Vitalino/Lampião (10 min); Jornal do Sertão (13 min); A Cantoria (15 min) e Viva Cariri! (36 min).
 
2a. Sessão.
Mote:                           – Senhor, diabos me carreguem, mas não existem homens, nem gigantes, nem cavaleiros, como Vossa Mercê diz.
- Não diga isto! – respondeu Dom Quixote – você não ouve o relinchar dos cavalos, o tocar dos clarins, o ruído dos tambores?”
-  Não ouço outra coisa – respondeu Sancho – senão muitos balidos de ovelhas e carneiros.
- Você está com medo, Sancho. É o medo que faz com que você não veja nem ouça bem. Porque um dos efeitos do medo é turbar os sentidos e fazer com que as coisas não pareçam o que são.  Dom Quixote.
A (in)visibilidade do oculto na obra de arte. O tema e a forma. A estrutura subjacente do Potemkin. A montagem da musica em Aruanda denuncia o que é documentário e ficção. O desafio é exatamente este: filmar o que se vê para mostrar o que não pode ser visto.
1.Textos:
CERVANTES, Miguel de.  El Ingenioso Hidalgo Don Quijote de la Mancha.  Primeira Parte, cap. XVIII, Barcelona: Editorial Ramon Sopena, S.A., 1981.
EISENSTEIN, S.M. La non-indifférente nature/1, 10-18. Paris: Union Generales d’éditions, 1978.
SARNO, Geraldo. “Aruanda”. In: Revista Cinemais, no. 28, mar/abr de 2001, p.39.
SARNO, Geraldo. “O Olhar Documental de D. Quixote”. In: Revista Cinemais, no. 33, jan/mar. 2003, p. 203. 
 
2.Filmes: Aruanda, de Linduarte Noronha; O Encouraçado Potemkin, de S.M.Eisenstein.
 
3a. Sessão
Mote:                                                   Correspondances
Comme de longs échos qui de loin se confondent
Dans une tenébreuse et profonde unité,
Vaste comme la nuit et comme la clarté
Les parfums, les couleurs et les sons se répondent.
                                   Baudelaire, Les fleurs du mal.
O duplo em Balzac, Dostoievski, Cervantes e Goethe. A teoria da imagem de Lezama Lima. O Hegel concebe a história como um processo, racional e lógico, de auto-desenvolvimento  progressivo do Espírito, dirigido a um fim que seria o auto-conhecimento absoluto. A essa concepção, que põe o destino da humanidade na Europa, vale dizer, no mundo ocidental, diz Irlemar Champi na introdução ao livro do poeta cubano A Expressão Americana:  “Lezama Lima pretende opor uma visão histórica direcionada não pela razão – que só leva a um dever ser – mas por um outro logos: o logos poético… E que todo discurso histórico é, pela própria impossibilidade de reconstituir a verdade dos fatos, uma ficção, uma exposição poética, um produto necessário da imaginação do historiador  Daí sua proposição de um “contraponto de imagens” – atividade metafórica por excelência – que permite apontar o poder ser (a Imago) e abranger, contrariamente ao logos hegeliano, a multiformidade do real, sem as constrições de um a priori rígido ao qual todos os fatos devem submeter-se”. Lezama institui uma nova dramaturgia para a história, em que a montagem ou organização dos fatos não mais obedecerá uma ordem lógica de causa e efeitos.
1. Textos:
BALZAC, Honoré de. A pele de Onagro (La peau du chagrin). DOSTOIEVSKI, Fiodor. O duplo. São Paulo: Editora 34, coleção Leste, 2011.
BAUDELAIRE, Charles. Les fleurs du mal.  Paris: Garnier, 1970.
HEGEL, G.W.F., Fenomenologia do Espírito. Petrópolis:Vozes, 2002, capítulo IV, p.147.
HEGEL, G.W.F., Filosofia da História. Brasília: Editora UnB, 2008.
GOETHE. A Metamorfose das Plantas. Tradução de Maria Filomena Molder. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1993.
SIMMEL, Georg.  Goethe. Buenos Aires: Editorial Nova, 1949.
CAVALCANTI, Claudia (org. e trad.). Correspondência Goethe/Schiller. São Paulo: Hedra, 2010, p. 12.
LIMA, J. Lezama. A Expressão Americana. Tradução, introdução de notas de Irlemar Chiampi. São Paulo: Brasiliense, 1988.
LIMA, J. Lezama. Poesia Completa.La Habana: Editorial Letras Cubanas, 1985.
GONZÁLEZ, Reynaldo. Lezama Lima, el ingenuo culpable. La Habana: Editorial Letras Cubanas, 1988.
2. Filme: O Último romance de Balzac, de Geraldo Sarno.
4a. Sessão
Mote:                           Nós vemos, por assim dizer, o invisível, nós vemos os pensamentos na tela.   Dziga Vertov.
Vertov e Godard se colocam em dois momentos antitéticos da história do cinema. Com O Homem com a Câmara Vertov, nos anos 20 da jovem nação soviética. faz do cinema o construtor de consciência, o portador de um olhar revelador da realidade humana e social, condutor e construtor de um novo homem: Revelando a alma da máquina, fazendo o operário amar suas ferramentas, a camponesa, seu trator, o maquinista, sua locomotiva, levaremos a alegria criativa a todo trabalho mecânico, aproximaremos os homens das máquinas educaremos os homens novos.   O improviso e o imprevisto no cinema de Dziga Vertov. O cinema-olho e o papel central da montagem. O olhar onipresente da câmara sobre a cidade em transformação, sobre a nova sociedade em construção revolucionária. A utopia na tela.
1. Textos:
VERTOV, Dziga. Articles, journaux, projets, 10/18. Paris: Union Générale
d’Éditions, 1972.
FELDMAN, Seth R. Evolution of style in the early work of Dziga Vertov: The Arno Press Cinema Program. Canadá: University  of Windsor, 1975.
MARX, Karl. “O caráter fetichista da mercadoria e seu segredo”. In O Capital.  MARX, Karl, livro 1.
VLADA, Petric. Constructivism in film – The Man with the Movie Camera:, A Cinematic Analysis. Cambridge:CambridgeUniversity Press, 1987.
DEVAUX, Frédérique. L’homme a la camera de Dziga Vertov. Bruxelas: Éditions Yellow Now, 1990. 
2. Filme: O Homem com a Câmara, Dziga Vertov. 
5a. Sessão
Mote:                          O Cinema é uma forma que pensa.  Godard.
Histoire (s) du cinema, um olhar sobre o cinema e sobre os olhares do(s) cinema(s), testemunha que o cinema não pode mais interferir nem modificar o caminho da história, é uma força fraca que não mais pode ser senão a guardiã da memória do fracasso e da derrota.  O cosmos cinematográfico encerraria em seus limites a história da humanidade. O cinema seria o decifrador da história por excelência, porque é a única linguagem que projeta imagens. Para Godard, como para Vertov, ver é compreender. Para ambos aplica-se a fórmula do primeiro: “O filme é uma forma que pensa”. 
1. Textos:
GODARD, Jean-Luc. Jean-Luc Godard par Jean-Luc Godard. Paris: Pierre Belfond, 1968.
GODARD, Jean-Luc. Godard par Godard, des années Mao aux années 80. Paris: Flammarion, 1980
GODARD, Jean-Luc. Introduction a une véritable Histoire du cinema.Paris: Albatros, 1980.
GODARD, Jean-Luc. Documents. Paris: Centre Pompidou, 2006.
SCEMAMA, Celine. Histoire(s) du cinema de Jean Luc Godard, La force faible d’un art. Paris: L’Harmattan, 1998.
SERAFIM, José Francisco (org). Godard, Imagens e Memórias, reflexões sobre História(s) do cinema. Salvador: Editora Edufba, 2011.